Páginas

O RETORNO DO RECALCADO

FICHAMENTO DE
O RETORNO DO RECALCADO: Violência urbana, "raça" e dualização em três sociedades avançadas
Versão em português, traduzidida por Roberto Martins Filho,
            publicada na Revista Brasileira de Ciências, ano 9, n.24, fev1994
            The Return of the Repressed Riots, “Race” and Dualization in three advanced societies
 

Biografia: Loïc Wacquant nasceu em 1960, na cidade francesa de Montpellier. É sociólogo, especialista em sociologia urbana, pobreza urbana, desigualdade racial e etnografia. Atualmente é professor e pesquisador no Instituto Jurídico Earl Warren, da Universidade da Califórnia, em Berkeley. Com formação em economia e sociologia, já publicou mais de uma centena de artigos em revistas de sociologia, antropologia, urbanismo, teoria social e filosofia. Seus livros foram traduzidos em uma dezena de línguas. Ele também é co-fundador e editor da revista interdisciplinar Etnografia. Fonte: Wikipedia

Palavras-chave: movimentos sociais urbanos, conflitos étnicos, desigualdade, segregação, preconceito 

Resumo: Nas décadas de crescimento pós 2ª Guerra, as sociedades capitalistas democratas acreditavam que classe, etnicidade e "raça" seriam cada vez menos relevantes para definir posição social ou oportunidades de vida. Mas em grandes cidade europeias e norte americanas, as periferias pobres - que tinham boa parte de sua população formada por imigrantes - sofriam o preconceito, a depreciação de seus espaços e a falta de empregos.

No decorrer da década de 1980 a auto-imagem do Primeiro Mundo foi abalada por explosões de insatisfação pública, fazendo emergir tensões étnicas e sociais com revoltas violentas que brotaram no coração de cidades da França, Inglaterra e Estados Unidos.

Eventos como a morte de dois homens da vizinhança por colisão com um carro policial funcionaram apenas como estopim da indignação e do sentimento de injustiça coletivos, desencadeando rebeliões, confrontos violentos, incêndio de carros e prédios, saqueamento de lojas, entre outras ações de protesto e vingança lideradas por jovens excluídos do mercado de trabalho e da sociedade residentes dessas periferias, muitas vezes imigrante ou filho de imigrantes.

Frase relevante: "O abismo cada vez mais largo entre ricos e pobres, o crescente auto-cercamento das elites políticas, a distância cada vez maior entre as instituições dominantes e a sociedade, tudo isso alimenta a hostilidade e a desconfiança. Tais fatores convergem para minar a legitimidade da ordem social e da autoridade que passou a simbolizar sua irresponsabilidade e seu caráter nuamente represssivo: a polícia. No vácuo criado pela ausência de laços políticos e pela falta de mediações reconhecidas entre populações urbanas marginalizadas e uma sociedade pela qual se sentem rejeitadas, não é de espantar que as relações com a polícia tenham se tornado não só destacadas como belicosas e que os incidentes com as forças da ordem sejam invariavelmente o detonador de explosões de violência popular na cidade." p.34

Contribuição para meu trabalho: O texto fala de segregação urbana e social, que é um aspecto presente na minha área de estudo da dissertação de mestrado - o Horto Bela Vista. A diferença é que o caso com o qual trabalharei se trata de auto-segregação, quando as pessoas se isolam do resto da cidade por opção mas sem perder o direito à cidadania. Mas como essa separação é desejada pelos mais "ricos" para fugir da violência e da pobreza do restante da cidade - sinais da segregação existente no extremo oposto da sociedade - com certeza na contextualização, ao falar de enclaves urbanos, terei que trabalhar a segregação por exclusão, por falta de acessibilidade e opotunidades.

Nenhum comentário: