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Primeiro senti, depois vi.

Depois da experiência de andar de olhos vendados tenho procurado andar mais "errantemente" pelo meu bairro e venho percebendo relevantes coisas que não me chamavam atenção antes.

Quero fazer algumas observações sobre cidade e calor.

Pode parecer muito óbvia a observação, mas uma caminhada na sombra é totalmente diferente de uma caminhada sob o sol, principalmente numa cidade como Salvador, tão quente e úmida.

Quando andamos por longos trechos áridos - asfalto, calçada, edificações - e de repente passamos por uma sombra é um alívio! A vontade é de poder arrastar a sombra conosco todo o percurso, não é? Sombras fazem um considerável efeito sobre o nosso corpo - na térmica, na respiração, na resistência à caminhada.

Mas há algo mais sobre sombras que venho pensando, algumas peculiaridades. O que vou dizer pode ser uma visão tendenciosa ou sem base científica, mas experimente e debata comigo. Será a sombra de uma árvore mais refrescante do que a sombra de uma edificação?

Na minha opinião a sombra da vegetação tem propriedades além de uma sombra comum. É a sombra em si, mas com uma pitada de... hum... uma densidade maior de oxigênio ao seu redor? É como se as árvores absorvessem o calor em volta delas e tornassem o ato de respirar mais confortável.

São as propriedades dos materiais. Pedra, cimento etc. refletem mais e também emitem o calor acumulado diferentemente de um vegetal, que parece estar sempre fresco, absorvendo e regulando a temperatura de sua superfície e consequentemente de seu entorno. Por isso sentimos, mesmo na sombra, o calor acumulado emanando das calçadas e muros.

Poderíamos logo prolongar esse papo quente e falar sobre chão, pavimentação.

Uns dias atrás eu sai andando pela rua onde moro. O céu estava nublado e tinha acabado de cair uma chuvinha, mas antes o sol estava de rachar (pra variar). Só pra situar, minha rua tem calçadas de pedra portuguesa - quebradas e desmontadas, diga-se de passagem. Porém, na frente da Ebade [escola baiana de decoração] pavimentou-se a frente do lote com pedaços de granito - polido! =O Não vou nem comentar, né?

O fator que percebi nas minhas pernas quando passei por esse trecho foi o UV. Acho que nem ia reparar na pavimentação diferente, porque nunca passo por essa calçada por ser do lado oposto à da minha casa. Mas quando senti o calor sob meus pés e subindo até a metade das batatas da perna, olhei pro chão pra ver o que havia mudado. Primeiro senti, depois vi. Fiquei atenta pra ver se voltaria a temperatura normal quando terminasse o trecho. E voltou!

Viva a pedra portuguesa! E os muito trechos da cidade não revitalizados onde ela exibe seus vazados absorventes de água e calor e seu rejuntamento típico adquirido de terra, poeira e matinho.

Os transeuntes frequentes da Manoel Dias da Silva, Praça da Sé e praçinhas revitalizadas que nos digam. Tudo bem que granito e seus compostos com cimento são resistentes, não precisam de tanta manutenção, mas será que não há alguma solução mais ecoló$icatermicamente confortável?

PS.: Falando em M. Dias, fui perguntar ao Google se seria Manuel ou Manoel. Estatisticamente conclui que é ManOel. Vi o artigo da Wikipédia sobre nossa avenida contrariando - Manuel com U. Mas não só o u me surtiu aquela caretinha de Aimeudeus, como todo o conteúdo - por sinal, muito moderno. :P *risos* Voluntários, chegem+...

2 comentários:

Rodrigo disse...

Boas percepções!

Eu acho que um prédio alto faz uma boa sombra, mas tenho que concordar que passar perto de um muro de concreto no final da tarde é muito desagradável. E árvores são legais. Principalmente as que vêm com mangas penduradas.

Pedra portuguesa é aquela que tem preta e tem branca e que são dispostas na calçada em ondas de cores alternadas?

O artigo sobre a Manoel Dias no Wikipédia não está exatamente enciclopédico. Foi escrito por alguém que se identifica como Msbit.

Denise Vaz de Carvalho Santos disse...

Mangas... sempre que penso em praças, penso em árvores frutíferas. Há quem diga que as frutas caem e sujam a praça, mas e o cheiro das frutas não é atraente? E as crianças que irão em época catar as fruta no pé? Creio ser algo que move a vida urbana também!

Sobre pedra portuguesa, é isso mesmo.

Sobre o artigo - observação precisa!

Obrigada pelo coment., Rod!
:)