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O traçado nas mãos do pedestre. (Ou nos pés...)

Hoje duas cenas me levaram a refletir sobre as ruas do pedestre.

Sobre os carros, no momento, só lamento pois não têm opção. Carros não podem sair subindo os passeios para cortar caminho, têm que usar o traçado do homem da prancheta. Mas o pedestre tem certo poder - seus caminhos são tão maleáveis quanto suas pernas puderem traçar. A pessoa que anda pode descobrir atalhos informais e criá-los, sugeri-los, demarcá-los.

Cena 1: No final da monitoria, na sala de ateliê IV. Professor Miguel analisava o trabalho de um de seus orientandos. O projeto é em uma frente marítima e propõe uma praça paralela à praia. No traçado da praça professor Miguel chamou atenção para os ângulos agudos formados pelo traçado da pavimentação dos caminhos. Ali surgiria um provável atalho sobre a grama que as pessoas tomariam para driblar o "canto", e tal canto seria demarcado pela terra aparecendo, pela ausência da vegetação que se inibe ao pisado frequente.

Cena 2: Foi de tardinha. Eu sai andando da minha casa para a Mariquita - aqui no Rio Vermelho. Passando pelo posto de gasolina na esquina, dobrando da Conselheiro Pedro Luiz para a Osvaldo Cruz me peguei passando por um desses atalhos prováveis, agora - e não antes, que eu me lembre - pavimentado, formalizado! Fiquei feliz! [Podia até estar mais larguinho, pois já há sinais de que a passagem formal ficou estreita. Tipo... ai é mão dupla, né?! ;) *risos*]

Não tenho fresquinho em mente, mas lembro de uma conversa sobre um caso no qual se esperou (se é que não foi utópico) - em uma praça ou área urbana - que os pedestres criassem seus caminhos; depois que o chão estava todo demarcado pelo fluxo dos pés, se consolidou o então projeto e pavimentou-se esses percursos - os naturais, os práticos, os verdadeiros.

Casos semelhantes aos que citei estão ai pela cidade, em áreas privadas e áreas públicas. Não considero um erro de projeto os caminhos mais prolixos, afinal o caminhar errante é bom também, só que ele deve ser uma opção e não uma imposição. Quando a única opção não é a mais prática, vemos isso claramente ao passarmos por trechos de grama mirrada sugerindo aquela revisão no projeto.

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