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COMO AUMENTAR A PARTICIPAÇÃO DOS CIDADÃOS NA DISCUSSÃO SOBRE ESPAÇOS URBANOS?

Respondendo à pergunta da revista AU - dez/06

Denise Vaz de Carvalho Santos
Graduanda em Arquitetura e Urbanismo
Março de 2007 UFBA
E-mail:
denisevaz@gmail.com

E que espaço seria esse para comportar tal discussão? A própria cidade é uma primeira resposta, mas idéias trocadas ao vento se dispersam e perdem sua consistência. Um espaço definido tem um endereço, um local - mas esse local ficaria perto de quem? Um ponto distante pode ser um grande obstáculo para uma população muitas vezes desprovida de meios financeiros para se transportar.

Então, como fazer com que esse espaço esteja próximo de toda a população? Talvez fazendo com que ele esteja em vários lugares? A internet parece algo assim - está em todo lugar! O espaço ideal pode ser então um espaço virtual. Convenientemente, idéias escritas se apresentam mais concretas e fieis do que as simplesmente ditas.

Para esse lugar virtual de debates ter funcionamento justo, permitindo que todas as classes tenham acesso e voz nele, contamos com uma forte aliada: a inclusão digital. Esta é a porta de entrada para promover o acesso democrático e igualitário às discussões sobre cidade. Já existem muitos projetos que buscam levar e integrar cidadãos mais pobres ao mundo da internet. Nesse ponto a inclusão, o aprendizado e o exercício cívico se encontram.

No artigo Blogs regionais como espaços de cidadania e participação a autora Catarina Rodrigues vê o espaço digital como um alargamento do espaço público, e defende que "os blogs constituem novas vozes que se fazem ouvir (...) a propósito de temas locais e regionais"; são meios democráticos de qualquer cidadão ter o poder de informar, comentar, discutir, trocar idéias e despertar o senso crítico. Alguns blogs são hoje fontes onde o jornalismo formal mata sua sede. Por outro lado, eles chamam atenção para situações que não têm lugar na comunicação social, mas que, uma vez escrito, jamais será nulo. Catarina Rodrigues investigou o conteúdo dos blogs regionais portugueses e constatou que muitos tinham abordagem política, atuando como olhos atentos sobre a midia e o poder local, "fazendo uma análise constante da actualidade".

A participação dos cidadãos nas discussões sobre espaços urbanos se encaixa de forma complementar à idéia dos blogs no artigo Espaço de fluxos em projetos de ciber-cidades. A ciber-cidade ou cidade digital pode ser entendida como "um sistema de pessoas e instituições conectadas por uma infra-estrutura de comunicação digital (internet) que tem como referência uma cidade real, física" [MORAIS, Patrícia B. - Cidades Digitais no Brasil].

Um site turístico de uma cidade tem as atribuições iniciais de uma ciber-cidade. Dando continuidade ao projeto, o portal virtual pode oferecer serviços, classificados, cursos on-line, cultura local, abrigar blogs, fóruns etc. A questão fundamental é que essa cidade paralela deve refletir a que lhe deu base, para isso a contribuição e o pensamento de todo e qualquer integrante da população é condição sine qua non. Esse ciber-espaço só será expressão verídica da cidade se for editado por jornalistas, leigos, doutores e estudantes de forma livre e democrática.

Conjuntamente com as idéias anteriores, para que essa discussão possa ser mais madura, é necessário fazer uma introdução à percepção da cidade para a população. Inserir o pensar urbano no programa de inclusão digital não demanda que se crie nenhuma grande estrutura nova. Estudantes de Ciência da Computação da UFBA e voluntários já dão cursos de informática para comunidades carentes. Assim como as aulas técnicas, que ensinam como usar computador e internet, podem ser feitas oficinas de percepção da cidade, orientadas por professores e alunos de urbanismo, buscando dar parâmetros de análise e apresentando soluções possíveis para cada tipo de problema urbano. Essas pessoas que estarão aprendendo a ver melhor a cidade e a situação da sua região terão mais segurança e expressividade nas suas colocações e decisões perante a sociedade. A inclusão digital, através do meio virtual, pode trazer também a inclusão social no espaço físico.

Referências/links:
Programa Onda Digital [UFBA]
www.ondadigital.ufba.br
RODRIGUES, Catarina - Blogs regionais como espaços de cidadania e participação
http://prisma.cetac.up.pt/artigospdf/10_catarina_rodrigues_prisma.pdf
SPINOLA, Jackeline F.; MAMEDE, José; CERQUEIRA, Marcos L. - Espaço de fluxos em projetos de ciber-cidades
http://www.bocc.ubi.pt/pag/mamede-jose-freitas-lima-cibercidades.html
MORAIS, Patrícia B. - Cidades Digitais no Brasil
http://www.facom.ufba.br/ciberpesquisa/seminario/patricia.htm

Um comentário:

friends disse...

Oi, Denise
Gostei muito do seu site, parabéns pelo trabalho! Queria te agradecer por ter pensado em um site voltado para a nossa profissão, tenho certeza que ele será muito útil para arquitetos e estudantes, vou indicar sempre pra as pessoas que eu conheço!
Sempre que puder vou te fazer uma visita por aqui.
bjs